Apuração
Pergunta 1 de 8

Para onde foram os votos do 1º turno?

Lula somou 10,4 mi de votos e Flavio, 3,7 mi. Os eleitores dos outros candidatos se dividiram quase ao meio; pela estimativa, a vantagem veio de quem tinha votado branco, nulo ou ficado em casa.

Do 1º ao 2º turno

A espessura de cada faixa é o número de eleitores. Toque numa faixa para ver a estimativa e a margem; num grupo, para seguir só os seus eleitores.

1º turno · 4 outBrasil2º turno · 25 out

O voto é secreto: ninguém sabe como cada eleitor votou. Estes números são uma estimativa, a partir de como o resultado mudou em cada uma das 499.178 urnas. Como estimamos

Estado a estado

O Brasil em eleitores, um quadrado para cada 500 mil. Em cada estado, para onde foi um grupo do 1º turno.

RRAPAMPAMAPICERNTOPBACROMTGODFBAPEMSSPALMGSEESPRRJSCRS
Cada quadrado, 500 mil eleitores. O tamanho de cada estado é o seu peso na eleição.

O que dizem as pesquisas

As pesquisas do 2º turno perguntaram em quem cada eleitor votou no 1º. Ao lado da estimativa pelas urnas, as respostas dos eleitores dos outros candidatos. Cada grupo tem poucas dezenas de entrevistados, e as pesquisas finais erraram o resultado na direção de Flavio.

AtlasIntel (18 a 23 out): Flavio 50,8% dos válidosDatafolha (22 out): Flavio 50% dos válidosFutura (23 e 24 out): Flavio 50,1% dos válidosResultado: Lula 51,8%

Eleitores de Augusto Cury

3,4 mi no 1º turno
Urnas (estimativa)
Faixa de 90%: Lula 45–66%, Flavio 23–44%
Cerca de 59 entrevistados no grupo: margem de uns 13 pontos
Cerca de 83 entrevistados no grupo: margem de uns 11 pontos

Eleitores de Renan Santos

2,7 mi no 1º turno
Urnas (estimativa)
Faixa de 90%: Lula 36–51%, Flavio 36–51%
Cerca de 46 entrevistados no grupo: margem de uns 14 pontos

Eleitores de Ronaldo Caiado

2,6 mi no 1º turno
Urnas (estimativa)
Faixa de 90%: Lula 33–50%, Flavio 43–60%
Cerca de 45 entrevistados no grupo: margem de uns 15 pontos

Todos os outros candidatos, juntos

9,3 mi no 1º turno
Urnas (estimativa)
Faixa de 90%: Lula 37–56%, Flavio 34–53%
Cerca de 188 entrevistados no grupo: margem de uns 7 pontos
LulaBranco, nulo ou não votouNão sabeFlavio

As pesquisas não entram na estimativa: com amostras tão pequenas e um viés comum, elas puxariam os números para Flavio, contra o que as urnas mostram. O número de entrevistados de cada grupo é estimado pelo tamanho do grupo no 1º turno; as pesquisas não o publicam. O Datafolha divulgou os quatro grupos juntos.

1000 possibilidades de Brasil

A estimativa tem margem de erro. Para ver o que ela quer dizer, sorteamos 10.000 versões da tabela de fluxos dentro dessa margem, cada uma ajustada para bater exatamente com o resultado oficial dos dois turnos. Cada versão é um Brasil possível.

Simulação 0 de 1.000 exibidas
1º turnoBrasil possível nº 12º turno

De onde veio a virada

Flavio terminou o 1º turno 2,2 mi de votos à frente; Lula venceu o 2º por 4,4 mi. Uma virada de 6,7 mi. Cada quadrado é uma simulação: quanto aquele grupo empurrou a diferença para Lula (direita) ou para Flavio (esquerda).

Brancos e nulos+3,2 mi (+1,8 mi a +4,0 mi)
Não votaram no 1º turno+2,6 mi (+2,0 mi a +3,2 mi)
Eleitores de Flavio+1,5 mi (+1,2 mi a +2,0 mi)
Eleitores de Cury+810 mil (+510 mil a +1,1 mi)
Eleitores de Renan+50 mil (−240 mil a +370 mil)
Demais candidatos−150 mil (−300 mil a +0 mil)
Eleitores de Caiado−200 mil (−520 mil a +180 mil)
Eleitores de Lula−1,1 mi (−2,0 mi a −420 mil)

Mediana e faixa de 90% de cada grupo: Brancos e nulos +3,2 mi, de +1,8 mi a +4,0 mi; Não votaram no 1º turno +2,6 mi, de +2,0 mi a +3,2 mi; Eleitores de Flavio +1,5 mi, de +1,2 mi a +2,0 mi; Eleitores de Cury +810 mil, de +510 mil a +1,1 mi; Eleitores de Renan +50 mil, de −240 mil a +370 mil; Demais candidatos −150 mil, de −300 mil a +0 mil; Eleitores de Caiado −200 mil, de −520 mil a +180 mil; Eleitores de Lula −1,1 mi, de −2,0 mi a −420 mil.

>99,9%

das simulações têm mais eleitores de Cury indo para Lula do que para Flavio.

81%

têm mais eleitores de Caiado indo para Flavio. Provável, não certo.

61% × 39%

Os eleitores de Renan: Lula à frente em 61%, Flavio em 39%. Não dá para dizer para que lado foram.

75%

das simulações têm quem votou branco ou nulo no 1º turno como a maior fonte da virada; nas outras 25%, quem não tinha votado.

A simulação não reduz a incerteza: usa as mesmas três fontes de erro das faixas de 90% (reamostragem das urnas, o erro de agregação medido em 2022 e a troca de modelo), calibradas para que cada grupo tenha a mesma faixa publicada. O que ela acrescenta é a conta entre grupos: como o total de cada candidato é fixo, se mais eleitores de um grupo foram para Lula, os de outro foram menos. As porcentagens são probabilidades dentro do modelo, não certezas: se as suposições da estimativa estiverem erradas, todas as simulações erram juntas. A página mostra 1.000 das 10.000 simulações; as porcentagens usam todas. Como estimamos

Como estimamos

Os fluxos são uma estimativa estatística, não uma contagem: o voto é secreto e ninguém observa quem trocou de candidato. Aqui está o que fizemos, o que supomos e quanto podemos errar.

O que estimamos. Para cada grupo do 1º turno (eleitores de Lula, de Flavio, de cada outro candidato, quem votou branco ou nulo e quem não votou), quantos foram para cada posição no 2º turno. O que se vê são só os resultados de cada urna; as trocas saem de como esses resultados variam de uma urna para outra. É a chamada inferência ecológica.

Os dados. 1º turno: resultados por seção eleitoral (TSE, dados abertos). 2º turno: o boletim de cada uma das 499.178 urnas, lido no site de resultados do TSE. As duas partes se juntam pelo número da seção. A soma dos boletins difere do total oficial em menos de 800 votos válidos, de 124 milhões: são 70 seções no exterior sem boletim publicado.

O modelo. Para cada estado, buscamos as proporções de transferência (por exemplo, quantos de cada 100 eleitores de Cury foram para Lula) que melhor reproduzem o 2º turno de todas as suas urnas a partir do 1º, por mínimos quadrados ponderados, com cada proporção entre 0 e 100%. As proporções mudam com o perfil de cada urna (quanto Lula teve ali no 1º turno e quanto se votou), porque o eleitor de um mesmo candidato pode agir diferente num reduto de Lula e num de Flavio. Estados pequenos se apoiam na média nacional. Por fim, a tabela de cada urna é ajustada para bater exatamente com os seus dois resultados oficiais, e somamos.

O que supomos. Que eleitores de um mesmo grupo, em urnas de perfil parecido no mesmo estado, se comportam de modo parecido. Se dentro de uma urna os eleitores de um candidato que foram para Lula forem diferentes dos que foram para Flavio, a estimativa erra, e nenhum dado público permite conferir isso diretamente. Também supomos o mesmo eleitorado nos dois turnos (as pequenas diferenças do voto em trânsito são ajustadas).

O que os dados não dizem. Os resultados mostram bem o saldo, mas não as trocas que se anulam (um eleitor de Lula que ficou em casa e um ausente que foi votar em Lula). Entre explicações igualmente boas, o modelo prefere a que move menos gente, com um peso escolhido por validação cruzada. Por isso as trocas brutas tendem a ser maiores que as mostradas; o saldo é a parte confiável.

Como testamos. Prevendo o 2º turno de urnas deixadas de fora a partir do seu 1º turno, o modelo erra a posição de 2,7% dos eleitores, contra 13,8% de uma regra que ignora as diferenças entre urnas. Em 2022, quando os dois turnos saíram por seção, rodamos o mesmo método por cidade, por blocos de 8 urnas vizinhas e por urna: com as proporções variando pelo perfil, a estimativa muda bem menos de um nível para outro (5 pontos nos outros candidatos entre blocos e urnas, contra 10 sem o perfil). As pesquisas, acima, servem de comparação e não entram na conta.

Quanto podemos errar, no Brasil

Em pontos de cada grupo do 1º turno: ±11 nos eleitores de Cury quer dizer que, se a estimativa diz 55% para Lula, o valor pode estar entre 44% e 66%. As três fontes são independentes e se somam em quadratura (a raiz da soma dos quadrados), por isso o total é menor que a soma simples.

GrupoAmostraAgreg.modelo90%
Eleitores de Lula e de Flavio<1±1±1±1
Eleitores de Cury<1±5±9±11
Eleitores de Renan<1±5±6±8
Eleitores de Caiado<1±5±7±8
Demais candidatos±1±5±13±14
Brancos e nulos<1±12±4±13
Quem não votou<1±2±2±2
  • Amostra: quanto a estimativa muda se as urnas de cada estado forem sorteadas de novo. Com meio milhão de urnas, é pequena.
  • Agregação: o erro de estimar a partir de urnas, e não de eleitores. Medido em 2022: quanto a estimativa ainda mudou ao passar de blocos de 8 urnas para urnas. Supomos que em 2026 ele é do mesmo tamanho; não há como medi-lo abaixo da urna.
  • Troca de modelo: quanto os números mudam com um modelo mais simples, sem a variação por perfil. A faixa foi alargada para cobrir essa diferença, mas outros modelos possíveis não foram todos testados.

Limites. A faixa de 90% é construída com esses testes, não é uma garantia: não há votos individuais para conferir. O destino dos brancos e nulos é a parte mais incerta, e nenhuma pesquisa publicada ajuda ali. Nos estados e nos governadores há menos urnas e as faixas são maiores; leia as transferências pequenas como ordem de grandeza.

Fontes e código. TSE: resultados por seção do 1º turno (dados abertos) e boletins de urna do 2º turno (site de resultados). Pesquisas: Quaest, PoderData e Datafolha, como publicadas. O código e os passos para refazer tudo estão em scripts/analysis.

›Os números deste gráfico, em tabela
Brasil: de onde vieram os votos do 2º turno, por voto no 1º turno (estimativa, eleitores)
No 1º turno→ Lula→ Flavio→ Brancos e nulos→ Abstenção
Lula53,0 mi40 mil40 mil820 mil
Augusto Cury1,9 mi1,2 mi380 mil0 mil
Renan Santos1,2 mi1,2 mi340 mil0 mil
Ronaldo Caiado1,1 mi1,3 mi170 mil10 mil
Demais candidatos200 mil370 mil30 mil0 mil
Flavio410 mil55,0 mi50 mil600 mil
Brancos e nulos3,5 mi130 mil2,3 mi0 mil
Abstenção3,0 mi560 mil830 mil29,1 mi

Estimativa estatística a partir de 499.178 urnas: o voto é secreto e ninguém sabe como cada eleitor votou.

O resultado de cada estado e cidade: resultado do 2º turno por estado e cidade.