Apuração
Metodologia

O dinheiro das campanhas, de 2002 a 2026

Os números de dinheiro deste site são os que as próprias campanhas declararam à Justiça Eleitoral. Aqui está de onde vêm, como os agrupamos, como os corrigimos pela inflação e o que eles não dizem.

1. Fonte

Toda candidatura é obrigada a prestar contas ao TSE: cada receita, com quem doou e de que fonte, e cada despesa, com quem recebeu e para quê. O TSE publica esses registros nos seus dados abertos, um conjunto de arquivos por eleição (receitas e despesas das candidaturas e dos partidos), de 2002 a 2026. Lemos todos eles, ligamos cada candidatura à pessoa (pelo mesmo cadastro das páginas de candidatos) e somamos por cidade, estado, partido e país.

São valores declarados, não auditados por nós. A Justiça Eleitoral julga as contas depois; uma conta aprovada com ressalvas ou desaprovada continua aqui com o que foi declarado.

2. O que entra em cada categoria

O TSE classifica cada receita pela origem (pessoa física, partido, recursos próprios…) e, desde 2014, pela fonte (Fundo Partidário, Fundo Especial a partir de 2018, outros recursos), e cada despesa por tipo, com dezenas de rótulos que mudaram ao longo dos anos. Juntamos esses rótulos em poucas categorias, sempre as mesmas de 2002 a 2026. Abaixo de cada uma, os rótulos do TSE que entram nela. O arquivo de 2002 não diz a origem das receitas: ela vem do doador (o próprio candidato, um partido ou comitê, um CPF ou um CNPJ). Gastos em bens doados (“baixa de estimáveis”) entram pelo tipo que a campanha informou.

De onde veio

  • Fundo eleitoral
    Recursos de partido político com fonte Fundo Especial (FEFC), desde 2018
  • Fundo partidário
    Recursos de partido político com fonte Fundo Partidário, desde 2014 (em 2010, quando o arquivo diz)
  • Empresas
    Recursos de pessoas jurídicas (até 2014) · Em 2002, doador com CNPJ que não é partido
  • Pessoas
    Recursos de pessoas físicas · Doações pela internet (2010 e 2012) · Em 2002, doador com CPF
  • Vaquinha
    Recursos de financiamento coletivo
  • Partido
    Recursos de partido político com outra fonte · Recursos de comitês financeiros · Todo dinheiro de partido antes de 2014
  • Próprio bolso
    Recursos próprios
  • Outros candidatos
    Recursos de outros candidatos (comitês que aparecem aqui vão para Partido)
  • Outros
    Rendimentos de aplicações financeiras · Comercialização de bens ou realização de eventos · Recursos de origens não identificadas

Para onde foi

  • Material impresso
    Publicidade por materiais impressos, adesivos, jornais e revistas, carros de som, placas e faixas · Correspondências e despesas postais · Propagandas e publicidade (2002–2010)
  • Internet
    Impulsionamento de conteúdos (Meta, Google e outras plataformas, separadas pelo nome do fornecedor) · Criação e inclusão de páginas na internet
  • Rádio, TV e vídeo
    Produção de programas de rádio, televisão ou vídeo · Produção de jingles, vinhetas e slogans · Produções audiovisuais
  • Pessoal
    Despesas com pessoal · Atividades de militância e mobilização de rua · Encargos sociais
  • Transporte
    Combustíveis e lubrificantes · Cessão ou locação de veículos · Transporte ou deslocamento · Passagens, pedágios, hospedagem
  • Eventos
    Comícios · Eventos de promoção da candidatura · Alimentação, lanches e refeições · Cachês de artistas, palanques
  • Serviços
    Serviços prestados por terceiros · Serviços próprios prestados por terceiros · Honorários, serviços advocatícios e contábeis
  • Pesquisas
    Pesquisas ou testes eleitorais
  • Escritório
    Locação de imóveis e bens móveis · Água, energia, telefone · Materiais de expediente, bens permanentes · Encargos financeiros, taxas e impostos · Instalação de comitê
  • Repasses
    Doações financeiras a outros candidatos ou partidos
  • Outros
    Diversas a especificar · Multas eleitorais · Baixa de recursos estimáveis sem tipo (2006–2010)

Cada categoria tem sempre o mesmo tom de cinza, em todo o site: o dinheiro público é o mais escuro. Vermelho e azul ficam reservados para a esquerda e a direita; o nome de cada parte vem sempre ao lado do quadrado.

3. Inflação

R$ 1 milhão em 2002 comprava muito mais que hoje. Para comparar eleições, corrigimos todos os valores pelo IPCA, o índice oficial de inflação do IBGE, do mês da eleição até setembro de 2026. Os valores sem correção (nominais) aparecem no detalhe de cada item.

4. Dinheiro público

Há duas fontes públicas: o Fundo Partidário, que os partidos recebem todo ano e podem passar às campanhas, e o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), criado em 2017 e usado pela primeira vez em 2018, depois que o STF proibiu as doações de empresas em setembro de 2015 (ADI 4650). As eleições de 2016 foram as primeiras sem dinheiro de empresas.

O TSE marca a fonte de cada receita a partir de 2014. Antes disso, o dinheiro que chegava pelo partido misturava fundo partidário com doações privadas, inclusive de empresas, repassadas pelo partido (as “doações ocultas”). Por isso os gráficos separam o dinheiro público de 2014 em diante (o fundo eleitoral só existe desde 2018) e mostram os anos anteriores como “Partido”, sem separação. Mesmo depois de 2014, a parte de “Partido” com fonte “outros recursos” pode ter vindo de doações privadas ao partido.

5. Dupla contagem

Quando uma candidatura passa dinheiro a outra, o mesmo real aparece duas vezes: como receita (“Outros candidatos”) de quem recebe e como gasto (“Repasses”) de quem envia. Na conta de cada candidatura, as duas pontas ficam, porque dizem algo sobre ela. Nos totais de cidade, estado e país, o lado do gasto deixa os repasses de fora, para que cada real seja contado uma vez só, onde foi de fato gasto.

6. Lacunas

7. Privacidade

Pessoas físicas que doaram ou que trabalharam numa campanha não são nomeadas aqui, mesmo que o TSE publique os nomes (Lei Geral de Proteção de Dados). Elas aparecem somadas, numa linha só, com o número de pessoas. Partidos, candidaturas e empresas (que só podiam doar até 2014) são nomeados.

8. Custo por voto

O custo por voto é o gasto declarado da candidatura, em reais de hoje, dividido pelos votos nominais que ela teve no 1º turno. Os gráficos usam escala logarítmica, porque entre a campanha mais barata e a mais cara a diferença costuma ser de centenas de vezes.

É uma razão, não um efeito. Dinheiro e voto andam juntos em parte porque quem já é favorito atrai mais doações e mais fundo do partido (o gasto é endógeno). Comparar o custo por voto de duas candidaturas não diz quantos votos cada real comprou. As estimativas estatísticas da página Quanto custa uma eleição vêm com intervalos de incerteza e o método ao lado.

9. Votos por real

É o inverso do custo por voto, em escala que se lê melhor: quantos votos nominais, no 1º turno, a candidatura teve para cada R$ 1.000 que gastou na própria campanha (em reais de setembro de 2026; o dinheiro repassado a outras candidaturas fica de fora). Cada candidatura também é comparada com a mediana da sua disputa: “2 vezes a mediana” quer dizer o dobro de votos por real que o candidato típico da mesma eleição, no mesmo cargo e lugar.

10. Dinheiro e voto: o que dá para dizer

Três perguntas, cada uma com o seu método. As respostas aparecem em Quanto custa uma eleição com intervalos de 95%.

Nada disso é o efeito causal do dinheiro. Partidos e doadores põem dinheiro em quem já tem chance de vencer, e quem tem chance arrecada mais; o gasto é tanto causa quanto consequência da força do candidato. Estimar o efeito de um real a mais exigiria uma fonte de variação no gasto que não dependa da força do candidato (por exemplo, mudanças nas regras de distribuição do fundo eleitoral), e isso não está nestes números. Os resultados descrevem associações, medidas com cuidado.

Para as classificações de partidos e os votos desde 2002, veja a metodologia das eleições.