As eleições desde 2002, da esquerda à direita
Cada página de cidade mostra como ela votou em todas as eleições desde 2002, para todos os cargos, pintando os votos pela posição do partido de quem os recebeu. Aqui está de onde vêm os votos, como cada partido é posicionado em cada ano, e o que esses gráficos não dizem.
1. Da esquerda à direita: como cada partido é posicionado
Não inventamos a posição de nenhum partido. Usamos três pesquisas em que cientistas políticos brasileiros posicionaram cada partido numa reta da esquerda à direita. A posição de um partido é a média das respostas. As três foram feitas com a mesma comunidade, os associados da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP), o que permite compará-las ao longo do tempo, como os próprios autores fazem.
- 2010Tarouco e Madeira (2015)Os partidos brasileiros segundo seus estudiosos: análise de um expert surveyCivitas, v. 15, n. 1 · 47 cientistas políticos num encontro da ABCP · escala de 1 a 7, convertida aqui para 0 a 10
- 2018Bolognesi, Ribeiro e Codato (2023)Uma nova classificação ideológica dos partidos políticos brasileirosDados, v. 66, n. 2 · 519 associados da ABCP · escala de 0 a 10
- 2022Bolognesi, Ribeiro, Codato e Silva (2025)O desaparecimento do centro ideológico no sistema partidário brasileiroOpinião Pública, v. 31 · cientistas políticos brasileiros e brasilianistas · escala de 0 a 10
Os partidos são agrupados com os mesmos cortes que os autores das pesquisas de 2018 e 2022 usam: até 3 é esquerda, de 3 a 4,5 centro-esquerda, de 4,5 a 5,5 centro, de 5,5 a 7 centro-direita e acima de 7 direita. Os autores dividem ainda as pontas em “extrema esquerda” (até 1,5) e “extrema direita” (acima de 8,5). Aqui elas ficam dentro da esquerda e da direita: com cinco cores os gráficos ficam legíveis, e o número de cada partido está na tabela abaixo.
O desenho mostra o que as pesquisas encontraram: de 2010 para 2018, todos os partidos à direita do PT passaram a ser vistos mais à direita, e em 2022 o centro ficou vazio. Em 2022, nenhum partido ficou entre 4,5 e 5,5. É por isso que a mesma cor não pode valer para todos os anos.
2. Partido por partido, eleição por eleição
Cada eleição usa a pesquisa mais próxima. Eleições de 2002 a 2010 usam a de 2010; a de 2018 e as de 2022, 2024 e 2026 usam a sua. Entre duas pesquisas (2012, 2014, 2016 e 2020), a posição é a linha reta entre elas: em 2014, por exemplo, metade do caminho entre 2010 e 2018. Um partido que só aparece numa pesquisa fica com essa posição em todos os anos.
Partidos que mudaram de nome seguem a mesma linha (PFL e DEM, PMDB e MDB, PR e PL, PRB e Republicanos, PPS e Cidadania, PTN e Podemos, PT do B e Avante, PSDC e DC, PEN e Patriota, PTC e Agir, PMN e Mobiliza, PMB e Democrata). Fusões recebem a posição que os autores dão a elas: o União Brasil só existe na pesquisa de 2022, e o PRD (PTB mais Patriota, 2023) fica com a média dos dois em 2022. O PSD de 2002 é outro partido que o PSD de Kassab, fundado em 2011.
| Partido | 2002 | 2004 | 2006 | 2008 | 2010 | 2012 | 2014 | 2016 | 2018 | 2020 | 2022 | 2024 | 2026 |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| PSTU | |||||||||||||
| PCO | |||||||||||||
| PCB | |||||||||||||
| PSOL | |||||||||||||
| UP | |||||||||||||
| PCdoB | |||||||||||||
| PT | |||||||||||||
| PSB | |||||||||||||
| REDE | |||||||||||||
| PDT | |||||||||||||
| PV | |||||||||||||
| SOLIDARIEDADE | |||||||||||||
| CIDADANIA | |||||||||||||
| AVANTE | |||||||||||||
| MDB | |||||||||||||
| MOBILIZA | |||||||||||||
| PSDB | |||||||||||||
| PSD | |||||||||||||
| PHS | |||||||||||||
| PPL | |||||||||||||
| DEMOCRATA | |||||||||||||
| PODE | |||||||||||||
| PROS | |||||||||||||
| PRTB | |||||||||||||
| AGIR | |||||||||||||
| PRP | |||||||||||||
| PTB | |||||||||||||
| PSL | |||||||||||||
| PP | |||||||||||||
| PRD | |||||||||||||
| DC | |||||||||||||
| REPUBLICANOS | |||||||||||||
| PSC | |||||||||||||
| UNIÃO | |||||||||||||
| DEM | |||||||||||||
| PATRIOTA | |||||||||||||
| NOVO | |||||||||||||
| PL | |||||||||||||
| PRONA | |||||||||||||
| PST | |||||||||||||
| PSD (2002) | |||||||||||||
| PAN | |||||||||||||
| PGT | |||||||||||||
| MISSÃO |
Passe o mouse sobre um quadrado para ver a posição (0 a 10). Ordenados pela posição mais recente.
Os partidos que mudaram de grupo
- PTcentro-esquerda 2002→esquerda 2018
- REDEcentro 2016→centro-esquerda 2020
- PVcentro-esquerda 2002→centro 2014→centro-esquerda 2022
- CIDADANIAcentro 2002→centro-direita 2020
- MDBcentro 2002→centro-direita 2012→direita 2018→centro-direita 2020
- PSDBcentro-direita 2002→direita 2018→centro-direita 2020
- PSDdireita 2012→centro-direita 2022
- DEMOCRATAcentro-direita 2016→direita 2020
- PODEcentro-direita 2002→direita 2014
- AGIRcentro-direita 2002→direita 2012
- PTBcentro-direita 2002→direita 2022
- REPUBLICANOScentro-direita 2006→direita 2012
Partidos que nenhuma pesquisa classificou
Cinco partidos de 2002 a 2006 e um de 2026 não estão em nenhuma das três pesquisas. Três dos antigos recebem o grupo que classificações mais antigas lhes davam (Coppedge, 1997; Mainwaring, Meneguello e Power, 2000, compiladas por Tarouco e Madeira). Os outros ficam sem classificação, em cinza-escuro, até que uma nova pesquisa os inclua.
- PRONA: Direita em Coppedge (1997) e em Mainwaring et al. (2000). Fundiu-se ao PR em 2006.
- PST: Centro-direita em Coppedge (1997) e em Mainwaring et al. (2000). Incorporado ao PL em 2003.
- PSD (2002): O antigo PSD: direita em Coppedge (1997) e em Mainwaring et al. (2000). Incorporado ao PTB em 2003.
- PAN: Não aparece em nenhuma das classificações. Incorporado ao PTB em 2007.
- PGT: Não aparece em nenhuma das classificações. Incorporado ao PL em 2003.
- MISSÃO: Registrado depois da pesquisa de 2022, por isso ainda não foi classificado. Disputou pela primeira vez em 2026.
3. De onde vêm os votos
Todos os votos são do Tribunal Superior Eleitoral, dos arquivos de dados abertos de cada eleição (votação por candidato, por partido e detalhe da votação, por município e zona), de 2002 a 2026. Só entram as eleições ordinárias: eleições suplementares, que repetem a votação de uma cidade fora do calendário, ficam de fora.
- Presidente e governador: votos válidos no 1º turno, e no 2º quando houve.
- Senado: votos dados a senador. Em 2002, 2010, 2018 e 2026 havia duas vagas e cada eleitor votou em dois candidatos.
- Deputados e vereadores: votos por partido, somando os dados aos candidatos e os dados à legenda. É o voto que decide quantas cadeiras cada partido leva.
- Eleito é quem o TSE registra como eleito, eleito por quociente partidário ou por média. Deputados e senadores são eleitos pelo estado inteiro, não pela cidade.
- Cidades criadas depois de 2002 só aparecem a partir da primeira eleição em que votaram. Brasília não tem prefeito nem vereadores.
4. Como leem os 20 quadrados
Cada bloco tem 20 quadrados, um para cada 5% dos votos válidos daquele cargo na cidade. Primeiro somamos os votos de cada grupo; depois dividimos os 20 quadrados na proporção dos votos, arredondando pelos maiores restos, para que os blocos sempre somem 20. Os quadrados vão da esquerda (no alto) para a direita (embaixo).
Um grupo com menos de 2,5% dos votos pode não ganhar nenhum quadrado. Os números exatos aparecem ao passar o mouse ou tocar no bloco.
5. O que estes gráficos não dizem
- A posição é de partido, não de candidato. Um candidato pode estar à esquerda ou à direita do próprio partido, e em eleições locais as alianças pesam mais que a sigla.
- As pesquisas medem como cientistas políticos veem os partidos, não o que o eleitor pensou ao votar.
- Antes de 2010 não há pesquisa comparável, então 2002 a 2008 usam a de 2010. Partidos que mudaram muito nesses anos podem estar fora do lugar.
- A conversão da escala de 2010 (1 a 7) para 0 a 10 é uma aproximação. O PT, por exemplo, fica em 3,2 em 2010, logo acima do corte da esquerda (3,0).
- Votos em branco, nulos e abstenções não entram: as porcentagens são dos votos válidos.
Para a projeção da noite da apuração, veja a metodologia da apuração. Para ver os gráficos, escolha uma cidade em Resultado por estado e cidade.