Apuração 2º turno 2026← Voltar aos resultados
Metodologia

Como calculamos a projeção

Os números apurados são do TSE. A projeção é um modelo estatístico que estima o resultado final a partir das urnas já contadas. Não é pesquisa eleitoral e não substitui o resultado oficial.

1. O que é (e o que não é)

A apuração não chega em ordem aleatória. Capitais e cidades grandes costumam ser contadas antes, e urnas de zonas rurais e de lugares distantes chegam depois. Por isso o placar do começo da noite pode enganar: em 2022, Bolsonaro liderou a contagem até cerca de dois terços das urnas, e Lula venceu.

A projeção corrige esse efeito. Ela compara cada cidade já apurada com o que essa mesma cidade fez antes e usa essa diferença para estimar as cidades e urnas que ainda faltam. Ela usa só votos oficiais já contados e resultados oficiais de eleições anteriores. Não usa pesquisas, redes sociais nem opinião de ninguém.

2. De onde vêm os dados

Os resultados vêm dos arquivos públicos de divulgação do TSE (resultados.tse.jus.br), os mesmos que alimentam o aplicativo oficial: totais do Brasil, de cada estado e de cada uma das 5.757 cidades (incluindo as cidades do exterior), para presidente e para governador nos estados com 2º turno (AC, AM, DF, ES, RN e TO).

A cada 15 segundos nosso sistema consulta o andamento da apuração em cada estado, identifica as cidades que mudaram e lê apenas essas. Os totais do Brasil e dos estados são os oficiais do TSE. O TSE guarda cada arquivo em cache por até cerca de um minuto, então os números aqui costumam aparecer de 15 segundos a 1,5 minuto depois de o TSE os totalizar. Em momentos de pico, algumas cidades podem levar um pouco mais para atualizar no mapa.

3. O ponto de partida: o 1º turno de cada cidade

Para cada cidade, a referência é o resultado do 1º turno de 2026: a parcela que o candidato teve entre os votos dos dois finalistas, e quantos votos foram para os demais candidatos (eleitores que agora vão se dividir entre os dois, anular ou votar em branco).

Testamos outras referências. O 1º turno da mesma eleição é muito melhor do que o 2º turno anterior: em 2022, a variação de cada cidade em relação ao 1º turno foi cerca de sete vezes menor (desvio de 0,04 contra 0,28 na escala logística) do que em relação ao 2º turno de 2018. No mapa, a comparação com o 2º turno de 2022 (presidente) ou com o 1º turno de 2026 (governadores) é mostrada só como contexto. Ela não entra no cálculo.

4. Como estimamos os votos que faltam

A variação de cada cidade. Para cada cidade já apurada medimos quanto o candidato ganhou ou perdeu em relação ao 1º turno. O modelo explica essa variação em camadas: um movimento nacional, um por região, um por estado e um por zona eleitoral (grupos de cidades vizinhas). Também considera dois fatores: o quanto a cidade pendia para um lado no 1º turno e quantos votos foram para outros candidatos. Cada camada só se afasta de zero quando há cidades apuradas suficientes para sustentar isso, o que evita conclusões apressadas com poucos dados.

As cidades que faltam recebem a variação prevista para o seu estado, região, zona e perfil, aplicada ao seu resultado do 1º turno. Uma cidade parcialmente apurada usa cada vez mais a sua própria variação conforme a contagem avança.

As últimas urnas de cada cidade. Mesmo dentro de uma cidade, as urnas contadas por último (em geral de zonas rurais) votam diferente das primeiras. Em 2022, nas cidades pequenas e médias, as urnas restantes pendiam até 0,25 na escala logística a mais para um lado do que as já contadas. O modelo mede essa diferença durante a própria apuração, comparando o que cada atualização acrescenta a cada cidade com o que ela já tinha, separando cidades por tamanho (até 30 mil eleitores, até 200 mil, acima disso) e pelo quanto já foi apurado.

Quantos votos faltam. O comparecimento esperado vem dos votos do 1º turno em cada cidade, ajustado pela variação de comparecimento já observada no estado.

5. Faixa de 90% e chance de vitória

A cada atualização, o modelo simula 400 finais possíveis. Em cada simulação, os movimentos nacional, regionais, estaduais e por zona variam dentro da incerteza estimada. Também entram desvios próprios de cada cidade, variações de comparecimento e um erro comum a todas as urnas que faltam: as urnas já contadas não são uma amostra aleatória, e isso pode deslocar todas as estimativas para o mesmo lado. O tamanho desse erro foi calibrado na apuração de 2022.

A faixa de 90% vai do 5º ao 95º percentil das simulações. A chance de vitória é a parcela das simulações em que o candidato termina com mais da metade dos votos válidos. Uma chance de 80% significa que o modelo espera estar errado em cerca de uma a cada cinco situações como essa. Não é certeza. Na página, cada um dos 20 quadrados vale 5 pontos de chance; eles só se acendem depois de 1% das urnas apuradas.

Das mesmas simulações sai o quadro “Os votos novos do 2º turno”: quantos votos os dois finalistas somam além do que tiveram no 1º turno (eleitores de outros candidatos e quem não votou ou anulou da primeira vez) e que parte vai para cada um. É um saldo líquido: quem trocou de lado entre os turnos não é rastreado, e não dá para dizer, só com totais por cidade, para onde foram os eleitores de cada candidato eliminado. A conta mostra também quanto desse saldo quem ficou atrás no 1º turno precisa para virar. Na apuração de 2022, a partir de 20% das urnas, a divisão estimada ficou em média a 2 pontos da final. Antes disso a faixa é larga, sobretudo para presidente, porque um erro pequeno na porcentagem vira um erro grande num saldo de cerca de 10 milhões de votos.

6. Teste com a apuração de 2022

Reproduzimos a noite do 2º turno de 2022 urna por urna: os boletins de urna públicos do TSE trazem a hora em que cada uma chegou ao tribunal. Os totais da reprodução batem exatamente com o resultado oficial. Rodamos o modelo como se fosse ao vivo, usando o 1º turno de 2022 como referência, e comparamos cada projeção com o resultado final em 12 momentos da noite (de 2% a 95% das urnas), para presidente e para as 12 disputas de governador.

2022, presidente. Votos de Lula entre os dois candidatos: o que a contagem mostrava (cinza), a projeção (vermelho, com a faixa de 90%) e o resultado final.
44%46%48%50%52%54%0%25%50%75%100%urnas apuradasresultado final 50,9%

A contagem mostrou Bolsonaro à frente até cerca de 67% das urnas. A projeção indicou Lula à frente desde 6%.

0,9 p.p.
erro médio da projeção
contra 2,7 p.p. do placar parcial
90%
das faixas de 90% contiveram o resultado
156 momentos testados
0,5 p.p.
erro médio após 20% apurado
contra 1,7 p.p. do placar parcial
Disputa (2022)Erro da projeçãoErro do placar parcialFaixa acertou
Presidente0,47 p.p.2,72 p.p.12 de 12
Governador AL1,17 p.p.3,37 p.p.12 de 12
Governador AM1,08 p.p.2,93 p.p.9 de 12
Governador BA1,11 p.p.2,76 p.p.12 de 12
Governador ES0,80 p.p.0,44 p.p.9 de 12
Governador MS1,19 p.p.0,80 p.p.4 de 12
Governador PB0,50 p.p.1,48 p.p.12 de 12
Governador PE0,14 p.p.2,34 p.p.12 de 12
Governador RO1,57 p.p.3,91 p.p.11 de 12
Governador RS0,60 p.p.2,82 p.p.12 de 12
Governador SC0,51 p.p.1,29 p.p.12 de 12
Governador SE0,62 p.p.4,39 p.p.12 de 12
Governador SP0,50 p.p.2,04 p.p.12 de 12

Erro: raiz do erro quadrático médio, em pontos percentuais, da parcela do candidato entre os dois, nos 12 momentos.

7. Limitações

Resultado oficial é sempre o divulgado pelo TSE.

8. Dados abertos

Os mesmos arquivos que esta página lê estão abertos para quem quiser analisar, citar ou montar o próprio gráfico. Atualizam a cada poucos segundos durante a apuração. Use à vontade, com crédito a este site.

Endereço base: https://dados.apuracaovivo.com.br. Os votos são os do TSE; a projeção e a chance de vitória são estimativas deste site.

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