Apuração
Metodologia · Congresso

Deputados e senadores, da esquerda à direita, pelo voto

Posicionamos cada deputado federal e senador numa reta da esquerda à direita a partir de como votou desde 2011, e medimos à parte quanto votou com o governo.

Aqui está o modelo, por que ele precisa de duas dimensões, o que os doadores de campanha acrescentam e todos os testes que fizemos, inclusive os que não passaram.

1. O que medimos

Para cada parlamentar e cada legislatura (da 54ª à 57ª, de 2011 até hoje) publicamos duas medidas, ao lado da posição do partido: a posição esquerda–direita pelo voto, de −1 a +1, com uma faixa de 90%, e a parcela das votações em que seguiu a orientação do governo.

As duas nunca viram um número só. Um deputado pode ser de direita e governista sob Bolsonaro, de direita e oposicionista sob Lula: misturar as duas coisas apagaria exatamente o que queremos mostrar.

−10+1
PSOL
85% com o governo
PT
98% com o governo
PSB
93% com o governo
PDT
92% com o governo
PSD
82% com o governo
MDB
82% com o governo
UNIÃO
77% com o governo
PP
78% com o governo
NOVO
24% com o governo
REPUBLICANOS
80% com o governo
PL
32% com o governo
← esquerdadireita →

A escala de −1 a +1 é a mesma das pesquisas com cientistas políticos usadas nas páginas das cidades (0 a 10, convertida), descrita em a metodologia das eleições. As pesquisas dão só a régua: dizem onde fica o zero e quanto vale um passo. A posição de cada pessoa vem dos votos dela.

Partidos com 3 ou mais deputados na 57ª legislatura (Lula), Câmara dos Deputados. Vazado: posição do partido na pesquisa com especialistas. Cheio: mediana dos seus parlamentares pelo voto. À direita, mediana da parcela de votos com o governo.

2. Por que duas dimensões

No Congresso brasileiro, quem vota junto é, antes de tudo, quem está com o governo ou contra ele. Cesar Zucco mostrou isso: a primeira dimensão de qualquer escalonamento dos votos nominais mede governismo, não ideologia.

Nos nossos dados, a primeira dimensão ingênua (a de maior variância, sem nenhuma restrição) tem correlação média de 0,77, em valor absoluto, com a parcela de votos com o governo. Ela é, quase toda, um medidor de governismo.

Dilma
54ª legislatura · 2011–2015
1ª dimensão ingênua0,91nosso θ (esq.–dir.)−0,62nosso g (governo)+0,73
Dilma → Temer
55ª legislatura · 2015–2019
1ª dimensão ingênua0,29nosso θ (esq.–dir.)+0,55nosso g (governo)+0,45
Bolsonaro
56ª legislatura · 2019–2023
1ª dimensão ingênua0,95nosso θ (esq.–dir.)+0,96nosso g (governo)+0,52
Lula
57ª legislatura · 2023–2027
1ª dimensão ingênua0,92nosso θ (esq.–dir.)−0,72nosso g (governo)+0,91
Cada quadrado vale 0,1 de correlação; à esquerda do traço, negativa, à direita, positiva.

Veja a linha do meio. Sob Bolsonaro, quem está à direita vota com o governo, e θ correlaciona positivamente com o governismo (+0,96). Sob Dilma e Lula, o sinal se inverte (−0,62, −0,72). É exatamente o que um eixo esquerda–direita estável tem de fazer: as pessoas ficam onde estão, e o governo é que muda de lado. Uma medida que acompanhasse o governo daria sempre o mesmo sinal, como a primeira dimensão ingênua faz.

A coordenada g fica com o resto: a parte do voto que segue quem governa naquele período. Ela não é publicada como posição de ninguém; serve para que o governismo não contamine θ. Para o governismo, mostramos a medida simples, a parcela de votos com a orientação do governo, que qualquer um pode recontar.

Ver em tabela
Ordem dos partidos
LegislaturaPartidosSpearman
54150,764
55200,735
56220,803
57190,868
Estabilidade
De → paraParlamentaresθ do modelo|1ª dimensão|Inverte?
54 → 553120,9160,629não
55 → 562770,9120,854não
56 → 573240,9110,666não
Correlação com a parcela de votos com o governo
LegislaturaGoverno|1ª dimensão|θg
54Dilma0,909−0,619+0,725
55Dilma → Temer0,288+0,552+0,450
56Bolsonaro0,952+0,962+0,522
57Lula0,917−0,723+0,905
Votações temáticas
LegislaturaVotações temáticasPeso esq.–dir. (temáticas)Peso esq.–dir. (todas)
54250,5450,608
551420,5680,596
563740,6780,566
571490,4790,429

Correlação de Pearson, entre os parlamentares de cada legislatura, de cada medida com a parcela de votos que seguiram a orientação do governo. A 1ª dimensão aparece em valor absoluto porque o sinal dela é arbitrário.

3. O modelo

Um modelo de resposta ao item, bayesiano, com duas dimensões e ligação probit, o mesmo tipo de Clinton, Jackman e Rivers (2004), com uma diferença que resolve o problema do governismo: a posição esquerda–direita de cada pessoa caminha devagar de uma legislatura para a outra, e a de governo é livre em cada uma.

P(Sim de i na votação j) = Φ( β1[j]·θ[i,L] + β2[j]·g[i,L] − α[j] )

# esquerda–direita: passeio aleatório entre legislaturas
θ[i,54] ~ Normal(0, 1)
θ[i,L]  = θ[i,L−1] + Normal(0, ω²)
ω²      ~ GamaInversa(3; 0,1)        # estimado: ω = 0,19

# governo–oposição: independente em cada legislatura
g[i,L]  ~ Normal(0, 1)

# votações
α[j], β[j] ~ Normal(0, 25·I)

Como os votos entram. Sim vale 1. Não e Obstrução valem 0: obstruir é como uma bancada vota contra sem dar quórum, a codificação usual nos estudos do Congresso brasileiro. Abstenção, ausência e o voto do presidente da sessão ficam como dado faltante, não como posição. Votações em que o lado perdedor teve menos de 2,5% dos votos saem, porque não separam ninguém; parlamentares com menos de 20 votos numa legislatura também saem. Ao todo, 3.712 das 4.264 votações nominais da Câmara dos Deputados entraram no modelo.

54ª legislatura 2011–2015
55ª legislatura 2015–2019
56ª legislatura 2019–2023
57ª legislatura 2023–2027

1 quadrado = 25 votações nominais. Escuro: usadas. Claro: deixadas de fora por serem quase unânimes ou com poucos votantes.

Como estimamos. Amostrador de Gibbs com aumento de dados de Albert e Chib (1993): para cada voto sorteamos uma utilidade latente normal truncada, e então os parâmetros das votações e as posições saem de regressões normais, em sequência. Rodamos 2 cadeias de 4.000 iterações, descartamos as 1.500 primeiras e guardamos 1.000 sorteios da distribuição a posteriori. A faixa de 90% de cada pessoa vai do 5º ao 95º percentil desses sorteios.

Identificação, em dois passos. Um modelo de duas dimensões só é definido a menos de uma rotação: qualquer giro dos eixos explica os votos igualmente bem. Primeiro, a estabilidade: no nosso período o governo trocou de lado (Dilma, Temer, Bolsonaro, Lula), e o passeio aleatório faz θ ficar com a parte do voto que persiste entre governos, e g com a que acompanha quem governa. Nenhuma pesquisa entra nesse ajuste; os valores iniciais vêm de uma decomposição em valores singulares dos votos, girada para a mesma estabilidade.

Depois, a âncora. O que persiste nem sempre é esquerda–direita: no Senado, por exemplo, o eixo mais estável pôs o Podemos de 2019–2023 à esquerda do PT, sinal de uma divisão que não é esquerda–direita. Por isso giramos o plano (θ, g) de cada legislatura pelo ângulo que melhor alinha θ com a posição dos partidos segundo os especialistas, o mesmo ângulo em todos os sorteios. Só a média de cada partido orienta o giro; a ordem dos parlamentares dentro do partido continua vindo só dos votos. O ângulo é publicado (teste 1): perto de zero, as duas definições de esquerda–direita concordam. O sinal de g é fixado com valores positivos para quem vota com o governo.

Da escala do modelo para a escala de −1 a +1

θ não tem unidade. Para pôr na escala das pesquisas, usamos um segundo modelo, de medida, em que a posição verdadeira θ* de cada mandato é lida por três fontes, cada uma com seu deslocamento, seu esticamento e seu ruído:

θ*  ~ Normal(μ_partido, τ²_partido)       # pesquisa com especialistas, naquele ano
θ   ~ Normal(a_r + b_r·θ*, σ_r² + ep²)     # votos (ep = erro-padrão de θ)
doa ~ Normal(a_d + b_d·θ*, σ_d²)           # doadores da eleição que o elegeu

# estimado, Câmara
a_r = −0,213   b_r = 1,313   σ_r = 0,084
a_d = +0,141   b_d = 0,283   σ_d = 0,219

A posição publicada. Os votos dão a ordem; os especialistas, a régua. Em cada legislatura, quem está na posição q da fila pelo voto (q = 10% é mais à esquerda que 90% da casa) recebe o valor que ocupa a mesma posição q na distribuição da casa segundo os especialistas: cada parlamentar vale a posição do seu partido mais um espalhamento normal de 0,2. A conversão é monótona, então ninguém troca de lugar, e é feita sorteio a sorteio, então a faixa de 90% carrega a incerteza dos votos.

Por que não a reta (θ − a_r)/b_r do modelo de medida? Porque a relação entre votos e especialistas não é uma reta. No Senado, os votos separam o PT do resto muito mais do que a escala uniforme dos especialistas; a reta jogava o PT para perto de −4, fora da régua. O modelo de medida continua servindo para o que é bom: medir quanto cada fonte (votos, doadores) informa além do partido, no teste 3.

τ mede quanto os parlamentares de um partido se espalham em volta da posição dele, e é estimado partido a partido, com uma distribuição comum (hierárquica). Um τ pequeno é um partido coeso; um τ grande, um partido em que se acha de tudo.

0,00,20,40,60,81,0REPUBLICANOSPSDPSOLPT
τ de cada partido, na escala de −1 a +1. À esquerda, partidos cujos deputados votam parecido entre si; à direita, os mais dispersos. Cor = grupo do partido na pesquisa mais recente.
Ver em tabela
Partidoτ
REPUBLICANOS0,252
PSD0,269
DEM0,279
PSC0,313
PL0,316
PP0,317
SOLIDARIEDADE0,327
PTB0,341
CIDADANIA0,343
PDT0,348
PSDB0,368
PV0,395
NOVO0,401
UNIÃO0,412
PC do B0,413
PATRIOTA0,422
MDB0,444
PROS0,444
PHS0,447
PODE0,454
PSB0,483
PSL0,498
PRD0,522
AVANTE0,526
PRP0,536
MOBILIZA0,542
PRTB0,570
AGIR0,661
DEMOCRATA0,769
REDE0,788
PSOL0,930
PT0,972

4. Doadores

Pessoas que financiam campanhas costumam financiar candidatos parecidos. Usamos as prestações de contas do TSE de 2014, 2018 e 2022: só doadores pessoas físicas (e empresas em 2014, último ano em que podiam doar), sem autodoação, dinheiro de partido ou transferências entre candidatos.

Por que o CFscore clássico não serve aqui

O método de Adam Bonica (2014) escalona a matriz candidato × doador por análise de correspondência e lê a primeira dimensão como ideologia. Nos Estados Unidos funciona. Aqui, rodamos o mesmo cálculo e medimos, para cada uma das dez primeiras dimensões, duas coisas: a correlação com a posição do partido do candidato e o η² do estado (a parcela da variação explicada só por saber de que estado o candidato é).

1ª2ª3ª4ª5ª6ª7ª8ª9ª10ª
2014
2018
2022
em cima: |correlação| com a posição do partido embaixo: η² do estado (quanto o estado explica)Mais escuro = mais forte. Passe o mouse para ver os valores.

Em 2014, a primeira dimensão tem correlação de +0,10 com o partido e η² de 0,47 com o estado; em 6 das 10 dimensões o estado explica mais do que o partido. Em 2018, a primeira dimensão tem correlação de +0,39 com o partido e η² de 0,41 com o estado; em 10 das 10 dimensões o estado explica mais do que o partido. Em 2022, a primeira dimensão tem correlação de −0,13 com o partido e η² de 0,35 com o estado; em 6 das 10 dimensões o estado explica mais do que o partido. A dimensão mais ligada ao partido em todo o período é a 4ª de 2022 (r = −0,73), e nada no método diz de antemão qual dimensão olhar. As redes de doadores aqui são, antes de tudo, estaduais e locais: o mesmo empresário financia candidatos de vários partidos do seu estado.

O que usamos no lugar

Uma medida mais simples e mais robusta: os outros candidatos dos seus doadores. Para o candidato i, cada doador que também deu dinheiro a outros candidatos contribui com a posição média dos partidos desses outros candidatos, naquele ano. O escore é a média sobre os doadores de i, com peso log(1 + valor doado a i). O próprio partido de i nunca entra no seu escore. Exigimos pelo menos 3 doadores compartilhados.

doa_i = Σ_k w_ik · média_{j ≠ i, j financiado por k}(μ_partido(j))  /  Σ_k w_ik
w_ik  = log(1 + valor doado por k a i)          só doadores k com outro candidato j

O escore entra no modelo de medida como mais uma fonte, com régua e ruído próprios, e só depois de passar no teste 3 abaixo: precisa melhorar a previsão do voto dentro do partido, não só separar PT de PL, o que o partido sozinho já faz.

Privacidade. Doadores pessoas físicas só aparecem em agregado (quantos e quanto), nunca pelo nome.

5. Testes de validação

Cinco testes, todos publicados, passem ou não. Um teste que não passou não esconde o número: diz como lê-lo.

Câmara dos Deputados · modelo congresso-1.0 · ajustado em 28/10/2026

1. Âncora nos especialistas

âncora, não teste

Regra: Âncora, não teste: o eixo é girado para casar com a posição dos partidos pelos especialistas; mostramos o quanto casa e quanto foi preciso girar.

54ª Dilma0,76giro −4°
55ª Dilma → Temer0,74giro −13°
56ª Bolsonaro0,80giro −36°
57ª Lula0,87giro −7°

Ordem dos partidos pelo voto contra a dos especialistas (Spearman; cada quadrado vale 0,05, o traço marca 0,80), depois do giro. Partidos com 5 ou mais parlamentares.

Onde o giro é pequeno (54ª, 55ª, 57ª), o eixo que persiste entre governos já era o eixo esquerda–direita. Onde é grande (56ª, −36°), o que mais persistiu foi outra divisão, e só a âncora põe o eixo no lugar. Mesmo depois do giro, em 54ª, 55ª os partidos votam numa ordem diferente da que os especialistas dão; mostramos os dois lado a lado e nunca corrigimos um pelo outro.

2. Estabilidade entre governos

passou

Regra: Mesmos parlamentares em legislaturas seguidas, com troca de governo: a posição não pode inverter (correlação > 0,7) e a ordem dentro do partido tem de se manter (> 0,3): correlação do modelo acima de 0,70 e, dentro de cada partido, acima de 0,30, em cada troca.

54ª → 55ª · Dilma → Temer · 312 parlamentares nas duas
nosso θ0,92no partido0,381ª dimensão0,63
55ª → 56ª · Dilma → Temer → Bolsonaro · 277 parlamentares nas duas
nosso θ0,91no partido0,421ª dimensão0,85
56ª → 57ª · Bolsonaro → Lula · 324 parlamentares nas duas
nosso θ0,91no partido0,511ª dimensão0,67

Correlação, entre os mesmos parlamentares, da posição numa legislatura com a da seguinte. “No partido”: o mesmo, com a mediana do partido descontada, entre quem não trocou de partido; é a parte que só os votos explicam, e o giro de cada legislatura, escolhido em separado, não a fabrica. Para a 1ª dimensão ingênua mostramos o valor absoluto: o sinal dela é arbitrário.

3. Doadores dentro do partido

passou

Regra: Doadores precisam melhorar a previsão do voto dentro do partido (fora da amostra) e ter correlação parcial > 0.

Erro só com o partido
0,326
Com partido e doadores
0,316
Ganho
2,9%

Raiz do erro quadrático médio, validação cruzada em 5 partes, 648 mandatos com escore de doadores.

Correlação parcial dentro do partido: +0,24 (intervalo de 90%: +0,16 a +0,31)
Calibração: o intervalo de 90% conteve a posição real em 90,1% dos casos fora da amostra.

1 quadrado = 1% dos mandatos testados; o contorno marca 90%.

Os doadores dizem algo que o partido não diz, mas pouco: o erro cai 2,9% e a correlação parcial é +0,24. Por isso eles entram com peso próprio, estimado, no modelo de medida, e nunca substituem o voto.

4. Votações de temas ideológicos

não passou

Regra: Votações de temas ideológicos (trabalho, previdência, armas, drogas, aborto, privatização, terras indígenas…) pesam mais no eixo esquerda–direita do que a média.

54ª · Dilma · 25 votações temáticas
temáticas55%todas61%
55ª · Dilma → Temer · 142 votações temáticas
temáticas57%todas60%
56ª · Bolsonaro · 374 votações temáticas
temáticas68%todas57%
57ª · Lula · 149 votações temáticas
temáticas48%todas43%

Quanto da capacidade de uma votação separar parlamentares vem do eixo esquerda–direita: β₁² / (β₁² + β₂²), média das votações.

Em 54ª (Dilma), 55ª (Dilma → Temer) as votações temáticas não pesaram mais no eixo esquerda–direita do que a média. O eixo é identificado pela estabilidade, não por estas votações; este teste confere se ele tem conteúdo ideológico, e a resposta é: nem sempre. Parte disso pode ser do filtro, que escolhe votações por palavras na ementa e também pega votações de procedimento sobre esses temas. Leia a posição como “o padrão de voto que persiste entre governos”, que é o que ela mede.

5. Convergência

não passou

Regra: R̂ < 1,1 para 99% das posições (2 cadeias).

Posições com R̂ abaixo de 1,1: 82,8%

1 quadrado = 1% das posições (parlamentar × legislatura); o contorno marca 99%.

R̂ mediano
1,03
R̂, percentil 99
1,63
ω estimado
0,19

2 cadeias, 4.000 iterações, as primeiras 1.500 descartadas, 1.000 sorteios guardados.

As médias das duas cadeias têm correlação de pelo menos 0,996 entre si: elas concordam em quem fica onde. Mas, pelo critério estrito, nem todas as posições chegaram ao mesmo lugar nas duas cadeias. Isso quer dizer que algumas faixas de 90% podem estar estreitas demais e que a posição de um parlamentar ainda pode mudar um pouco com um ajuste mais longo. Enquanto este teste não passar, leia diferenças pequenas entre parlamentares vizinhos como empate.

Senado Federal · modelo congresso-1.0 · ajustado em 28/10/2026

1. Âncora nos especialistas

âncora, não teste

Regra: Âncora, não teste: o eixo é girado para casar com a posição dos partidos pelos especialistas; mostramos o quanto casa e quanto foi preciso girar.

54ª Dilma0,88giro +32°
55ª Dilma → Temer0,57giro −78°
56ª Bolsonaro0,91giro −85°
57ª Lula0,92giro +65°

Ordem dos partidos pelo voto contra a dos especialistas (Spearman; cada quadrado vale 0,05, o traço marca 0,80), depois do giro. Partidos com 3 ou mais parlamentares.

Onde o giro é pequeno (nenhuma legislatura), o eixo que persiste entre governos já era o eixo esquerda–direita. Onde é grande (54ª, +32°; 55ª, −78°; 56ª, −85°; 57ª, +65°), o que mais persistiu foi outra divisão, e só a âncora põe o eixo no lugar. Mesmo depois do giro, em 55ª os partidos votam numa ordem diferente da que os especialistas dão; mostramos os dois lado a lado e nunca corrigimos um pelo outro.

2. Estabilidade entre governos

não passou

Regra: Mesmos parlamentares em legislaturas seguidas, com troca de governo: a posição não pode inverter (correlação > 0,7) e a ordem dentro do partido tem de se manter (> 0,3): correlação do modelo acima de 0,70 e, dentro de cada partido, acima de 0,30, em cada troca.

54ª → 55ª · Dilma → Temer · 44 parlamentares nas duas
nosso θ0,67no partido0,361ª dimensão0,30 (inverte)
55ª → 56ª · Dilma → Temer → Bolsonaro · 30 parlamentares nas duas
nosso θ0,74no partido0,671ª dimensão0,79
56ª → 57ª · Bolsonaro → Lula · 56 parlamentares nas duas
nosso θ0,81no partido0,361ª dimensão0,60 (inverte)

Correlação, entre os mesmos parlamentares, da posição numa legislatura com a da seguinte. “No partido”: o mesmo, com a mediana do partido descontada, entre quem não trocou de partido; é a parte que só os votos explicam, e o giro de cada legislatura, escolhido em separado, não a fabrica. Para a 1ª dimensão ingênua mostramos o valor absoluto: o sinal dela é arbitrário.

O eixo esquerda–direita não se manteve em pelo menos uma troca de governo. Enquanto isso valer, as posições de legislaturas diferentes não devem ser comparadas entre si.

3. Doadores dentro do partido

não passou

Regra: Doadores precisam melhorar a previsão do voto dentro do partido (fora da amostra) e ter correlação parcial > 0.

Erro só com o partido
0,647
Com partido e doadores
0,651
Ganho
-0,5%

Raiz do erro quadrático médio, validação cruzada em 5 partes, 50 mandatos com escore de doadores.

Correlação parcial dentro do partido: −0,15 (intervalo de 90%: −0,39 a +0,10)
Calibração: o intervalo de 90% conteve a posição real em 80,0% dos casos fora da amostra.

1 quadrado = 1% dos mandatos testados; o contorno marca 90%.

Os doadores não acrescentam informação além do partido. Eles ficam fora da posição combinada até passarem neste teste.

4. Votações de temas ideológicos

não passou

Regra: Votações de temas ideológicos (trabalho, previdência, armas, drogas, aborto, privatização, terras indígenas…) pesam mais no eixo esquerda–direita do que a média.

54ª · Dilma · 13 votações temáticas
temáticas34%todas47%
55ª · Dilma → Temer · 11 votações temáticas
temáticas58%todas52%
56ª · Bolsonaro · 52 votações temáticas
temáticas65%todas49%
57ª · Lula · 14 votações temáticas
temáticas78%todas56%

Quanto da capacidade de uma votação separar parlamentares vem do eixo esquerda–direita: β₁² / (β₁² + β₂²), média das votações.

Em 54ª (Dilma) as votações temáticas não pesaram mais no eixo esquerda–direita do que a média. O eixo é identificado pela estabilidade, não por estas votações; este teste confere se ele tem conteúdo ideológico, e a resposta é: nem sempre. Parte disso pode ser do filtro, que escolhe votações por palavras na ementa e também pega votações de procedimento sobre esses temas. Leia a posição como “o padrão de voto que persiste entre governos”, que é o que ela mede.

5. Convergência

não passou

Regra: R̂ < 1,1 para 99% das posições (2 cadeias).

Posições com R̂ abaixo de 1,1: 95,2%

1 quadrado = 1% das posições (parlamentar × legislatura); o contorno marca 99%.

R̂ mediano
1,02
R̂, percentil 99
1,30
ω estimado
0,24

2 cadeias, 8.000 iterações, as primeiras 2.000 descartadas, 1.000 sorteios guardados.

As médias das duas cadeias têm correlação de pelo menos 0,985 entre si: elas concordam em quem fica onde. Mas, pelo critério estrito, nem todas as posições chegaram ao mesmo lugar nas duas cadeias. Isso quer dizer que algumas faixas de 90% podem estar estreitas demais e que a posição de um parlamentar ainda pode mudar um pouco com um ajuste mais longo. Enquanto este teste não passar, leia diferenças pequenas entre parlamentares vizinhos como empate.

6. Limites

7. Fontes e referências

Para como os partidos são posicionados, veja a metodologia das eleições. Para a projeção da noite da apuração, a metodologia da apuração.